A saúde de uma pessoa é determinada pelo meio onde ela vive. Globalmente, um quarto das mortes anuais está associado a fatores ambientais. Espaços mal ventilados potenciam a disseminação de doenças infeciosas transmitidas por via aérea. A falta de acesso a água potável é ainda uma das maiores causas de mortalidade em crianças, globalmente. As temperaturas extremas e a humidade contribuem grandemente para o surgimento de doenças crónicas e mortalidade, e Portugal é um dos países Europeus com maior excesso de mortalidade associada ao frio. Assim, desde a escolha dos materiais de construção até ao desenho de espaços públicos, os médicos e os arquitetos podem ser importantes parceiros na promoção da saúde da população. O 3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para 2030, “Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades”, está intimamente relacionado com o 11º Objetivo, “Tornar as cidades e comunidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis”. Ambos, juntos, contribuem para o 10º Objetivo, “Reduzir as desigualdades no interior dos países e entre países”.
Esta Unidade Curricular tem como finalidade contribuir para estes Objetivos, olhando para a intersecção da saúde e arquitetura, atentando no impacto dos espaços (in)salubres, públicos e privados na saúde, e promovendo diálogos entre estudantes, docentes e investigadores de Arquitetura e Medicina. O cruzamento do conhecimento sobre práticas de construção sustentáveis com o conhecimento sobre as características dos espaços que contribuem para uma melhor (ou pior) saúde e a exploração conjunta sobre como desenvolver espaços mais saudáveis e sustentáveis poderão promover o ensino e a investigação colaborativa entre ambas as Unidades Orgânicas e Centros de Investigação, as quais têm docentes e investigadores que se têm interessado sobre este tema. A abordagem proposta, holística e baseada na evidência, poderá contribuir para a maior consciencialização dos futuros médicos para a importância dos locais onde as pessoas vivem para um diagnóstico e tratamento mais adequados, e dos futuros arquitetos para o desenho de espaços públicos e privados mais saudáveis, permitindo uma atuação transdisciplinar e multinível para a promoção da saúde da população de forma mais equitativa, eficiente e sustentável.

Objetivos da UC:

• Explorar e discutir as implicações da qualidade dos espaços residenciais, de ensino e espaços públicos na saúde dos utilizadores;
• Analisar casos de estudo sob a perspetiva de Saúde e Arquitetura, numa abordagem alicerçada na evidência científica e no contexto social, geográfico e cultural onde se inserem;
• Discutir, de forma articulada, estratégias para melhorar a saúde e o bem-estar das populações através da conceção de espaços sustentáveis, eficientes e acessíveis;
• Construir empatia pela participação das populações, para uma abordagem conciliatória na definição de estratégias para a melhoria das suas condições de vida.

Resultados de aprendizagem:

No final desta unidade curricular os alunos deverão:
• Conhecer os principais determinantes ambientais e sociais da saúde;
• Analisar e identificar as principais ameaças à salubridade e conforto dos locais onde se vive;
• Identificar boas práticas na conceção de espaços de habitação, ensino e espaços públicos que contribuam para a saúde física e psicológica e o bem-estar dos seus residentes e utilizadores;
• Promover discussões transdisciplinares sobre os perigos, boas práticas e potenciais soluções, a fim de melhor projetar e defender a construção de espaços saudáveis;
• Integrar conceitos básicos de Saúde Pública e Arquitetura para uma melhor compreensão e defesa de espaços de vida mais saudáveis.


Os 3 ECTS serão distribuídos em 27 horas de contacto presencial e 54 horas de trabalho autónomo.
As 27 horas de contacto presencial serão distribuídas da seguinte forma:
• 11 horas - Aulas teórico-práticas
Introdução, definição dos conceitos fundamentais e discussão da evidência científica.
• 12 horas - Visitas de campo a diferentes contextos urbanos como ilhas, bairros SAAL, edifícios de habitação coletiva e espaços públicos, com discussão in loco com os moradores e utilizadores desses espaços.
• 4 horas - Discussão final e avaliação dos trabalhos de grupo (desenvolvidos em pequenos grupos, nas aulas teórico-práticas e durante as horas de trabalho autónomo, de forma a estimular o trabalho interdisciplinar e colaborativo). Avaliação escrita.

As 54 horas de trabalho autónomo serão distribuídas da seguinte forma:
• Preparação de cada aula, para a qual os alunos receberão materiais orientadores;
• Análise dos materiais referentes a cada visita de campo;
• Realização dos trabalhos de grupo e preparação da avaliação escrita.
Período: Sem Período